domingo, 26 de dezembro de 2010

Eu (di)Verso*

Em minha mente e no mundo externo.
Humanos à minha volta,
Seres desconhecidos, olhares desconhecidos
E diversos na íris colorida,
Incrustada nas faces alheias.
Chão negro do trem que vagueia
E se agita.
Caligrafia quase ilegível.
Fome colossal.
Cansaço mutante.
Eco dos meus desejos.
Preciso me libertar.

[Contribuição de Pierre Nunes; *atribuição livre by ALMEIDA, C.]

sábado, 25 de dezembro de 2010

Marcadores e Mercadores

Dia Disso, Dia Daquilo. Outrora, marcadores importantes, hoje, instrumentos de mercadores rompantes. A sociedade e seu consumismo frenético, impulsionado pela máquina capitalista. Tudo muito bem gerido pelos meios de comunicação. Veículos pretensos, que vão na contra-mão, são raros; muitas vezes tido: uma utopia. Sair desse redemoinho alucinante tem sido: jogar ao vento a chance de um instante de epifania. Comprar, dar, ganhar presente: a felicidade reduzida em Ter. O propósito da rememoração ausente; longe a razão íntrínseca de ser.

by ALMEIDA, C.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Tempo

O tempo nunca começou. Por isso nunca poderá acabar. Nós, no entanto, nascemos no tempo, e acabamos dentro desse tempo. Se nascemos no tempo, vivemos no tempo e morremos no tempo, não posso dizer que não tenho tempo. Se tudo o que temos é o Tempo. Vejo o tempo como uma roda afortunada, que nos leva a um processo constante de transformação. Ele faz com que a nossa roupagem passageira, sinta o nosso tempo aqui. Uma lâmina sedenta deslizando constantemente sobre os rostos, deixando a impressão de que faço parte deste tempo. Estou marcado pela vivência. Não posso não querer tempo. Ele, o Tempo, o nosso algoz, que se alimenta de nossa existência, talvez seja um bufão que tudo sabe, e sabe que tudo isso é um pifão momentâneo. Num dia ou numa noite qualquer, que não sei ao certo e duvido que alguém haja de saber, é possível que ele saiba que esqueceremos que nele vivemos. Será que ele sabe tudo ou sabe simplesmente o que sabemos? Então, esta bebedeira vai passar, e nós, em outro lugar ou em lugar nenhum, nos lembraremos ou não, da nossa existência temporal. Tenho uma única certeza, que o tempo não irá apagar o que de melhor deixarmos: nossas ideias, nossas lembranças, nossas atitudes boas ou não - quando no mundo, deixarmos o mundo, e para o mundo sermos atemporais.
  
[poema em prosa - contribuição de Orlando Cruz; editado por ALMEIDA, C.]


domingo, 19 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Muitos em Mim

Encontrei-me em muitos que não sei quem são.
Sou o homem que foi, que é, e que há de vir.
Sou o primitivo que subjulgou a mulher
o ignorante que escravizou o negro
o sanguinário que esquarteja o irmão
o corrupto multimilionário.
Sou o artista que encantou o mundo
o pensador que transforma a realidade
o descobridor de outros planetas
o mártir.
Tenho todas essas potencialidades.
Sou consequência do homem de há muitos milênios
E causa do que ainda não está aqui.
Sou tudo que do homem advir
tudo que dele pode vir, virá.
Entrei para a história da composição humana
que contribuição eu vou dar?


by ALMEIDA, C.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010